Como precificar um contrato de publicidade com influenciador
Toda criadora passa por esse momento: a primeira marca chega, pergunta o valor, e vem o branco. Cobrar pouco desvaloriza o trabalho e cria referência ruim para as próximas. Cobrar muito sem justificativa afasta a negociação.
Não existe tabela oficial, e desconfie de quem apresenta uma. O que existe são critérios objetivos que compõem o preço, e saber nomeá-los muda completamente a conversa comercial.
O preço não é pelo post, é pelo pacote
O erro que quase todo mundo comete no começo é precificar uma peça isolada. A marca não está comprando um vídeo, está comprando acesso à sua audiência, o seu tempo de produção e o uso da sua imagem.
Quando você separa esses componentes, fica muito mais fácil justificar o valor e negociar sem simplesmente dar desconto. Cada item abaixo move o preço para cima ou para baixo, e todos devem estar escritos na proposta.
Os componentes do valor
Estes são os critérios que efetivamente compõem o preço de uma publicidade:
- Alcance real das últimas publicações, que é mais confiável do que o número de seguidores
- Quantidade e formato das entregas: vídeo no feed, sequência de stories, foto, participação em evento
- Complexidade de produção: roteiro, deslocamento, figurino, edição mais elaborada, gravação externa
- Exclusividade de categoria, ou seja, o compromisso de não divulgar concorrente por um período
- Direito de uso da peça pela marca, principalmente se ela quiser impulsionar ou usar em anúncio
- Tempo de permanência da publicação no ar
- Prazo de entrega, com urgência custando mais
Exclusividade e direito de uso mudam muito o valor
São os dois itens que quem começa mais esquece de cobrar, e os que mais impactam a conta.
Exclusividade tem custo porque limita seu faturamento. Se você aceita não falar de nenhuma outra marca da mesma categoria por três meses, está abrindo mão de outros contratos naquele período. Isso precisa estar no preço, e o prazo e a categoria precisam estar escritos com precisão.
Direito de uso é a permissão para a marca usar seu conteúdo e sua imagem em outros lugares, como anúncio pago, site ou material de loja. É um uso diferente do combinado originalmente e deve ser cobrado à parte, com prazo e canais definidos.
Como montar sua faixa de preço
Comece pelo seu custo real. Some as horas de roteiro, gravação, edição, aprovação e resposta a comentário. Defina quanto vale a sua hora e chegue a um piso. Nenhum contrato deve ficar abaixo dele.
A partir daí, componha por entrega. Um valor base para vídeo no feed, outro para sequência de stories, e acréscimos percentuais para exclusividade, direito de uso e urgência.
Tenha também um valor de pacote mensal, com desconto em relação à soma das peças avulsas. Presença recorrente rende mais para a marca e dá previsibilidade para você, então é uma troca boa para os dois lados.
Permuta: quando aceitar
Permuta é pagamento em produto ou serviço, e não é automaticamente ruim. Ela faz sentido quando o produto tem valor real para você, quando você usaria de qualquer forma, e quando o valor equivale ao que você cobraria.
Ela deixa de fazer sentido quando o valor do produto é muito menor que o do seu trabalho, quando a marca pede entregas de contrato pago em troca de brinde, ou quando você já tem histórico e audiência que sustentam cobrança em dinheiro.
Uma regra simples: se a permuta não cobre o seu piso de custo, ela está te fazendo trabalhar de graça.
Como apresentar a proposta
Mande sempre por escrito, com as entregas listadas, o prazo, o que está incluído e o que não está, quantas rodadas de ajuste estão previstas e a forma de pagamento.
Proposta escrita reduz mal-entendido e transmite profissionalismo, que por si só sustenta valor. Junte o mídia kit atualizado com os números do período recente.
Se a marca pedir desconto, prefira reduzir entregas a reduzir preço. Manter o valor por peça protege a sua referência para as próximas negociações, inclusive com outras marcas que conversam entre si.
Combine o pagamento por escrito
Prazo e forma de pagamento precisam estar na proposta com a mesma clareza das entregas. Quando isso fica implícito, a cobrança vira desgaste e a relação com a marca azeda.
Para contratos maiores ou com produção que exige deslocamento e custo, é comum trabalhar com parte na aprovação do roteiro e parte após a publicação. Isso protege os dois lados e é prática aceita no mercado.
Boa parte do trabalho de assessoria é exatamente esse: estruturar proposta, negociar exclusividade e direito de uso, e manter o mídia kit atualizado, para que a criadora possa continuar focada em criar.